11 Janeiro 2012

Agir de acordo com a sua natureza

Um monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora do rio o escorpião o picou. Devido à dor, o monge deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem, pegou um ramo de árvore, voltou outra vez a correr pela margem, entrou no rio, resgatou o escorpião e o salvou. Em seguida, juntou-se aos seus discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.

         — Mestre, o Senhor deve estar muito doente! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda: picou a mão que o salvava! Não merecia sua compaixão!
         O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu: — Ele agiu conforme sua natureza e eu de acordo com a minha.

20 Dezembro 2011

Observações Natalinas

Os dias passam rápido demais nessa época do ano. Fico pensando se é o tempo que está a passar rápido mesmo ou se nós é que estamos correndo no tempo para que o tempo possa terminar e que outro novo ciclo comece correndo também.
Mas, por que tanta pressa?
Bem, peço pausa. É! Uma pequena pausa.
Que tal nos acalmarmos e nos darmos a chance de uma bela reflexão?



"Nossa Senhora, com o Menino Jesus em seus braços, resolveu descer à Terra e visitar um mosteiro. Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um chegava diante da Virgem para prestar sua homenagem. Um declamou belos poemas, outro mostrou suas iluminuras para a Bíblia, um terceiro disse o nome de todos os santos. E assim por diante, monge após monge, homenageou Nossa Senhora e o Menino Jesus.

No último lugar da fila, havia um padre, o mais humilde do convento, que nunca havia aprendido os sábios textos da época. Seus pais eram pessoas simples, que trabalhavam num velho circo das redondezas, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas para cima e fazer alguns malabarismos.

Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.

Envergonhado, sentindo o olhar reprovador de seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima, fazendo malabarismos, que era a única coisa que sabia fazer.

Foi só neste instante que o Menino Jesus sorriu, e começou a bater palmas no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco o menino." (Trecho extraído do livro O Alquimista, de
Paulo Coelho)


Então, nada de pressa para comprar presentes. Nada de presentes caros. Pois,  o melhor presente que você pode dar nesse período e sempre, é um abraço recheado de alegria. Saiba que um abraço dado com amor, contagia.

Desejo que a bela sementinha do Natal, a LUZ de Nosso Senhor, brilhe em todos os corações. E que possamos ser nós mesmos, sem pressa, com saúde, paz e prosperidade. 
 

FELIZ NATAL e um ANO NOVO de PAZ!


08 Dezembro 2011

O Cavalo e o Burro por Monteiro Lobato

          O cavalo e o burro seguiam juntos para a cidade.  O cavalo contente da vida, folgando com uma carga de quatro arrobas apenas, e o burro — coitado!  gemendo sob o peso de oito.  Em certo ponto, o burro parou e disse:
          — Não posso mais!  Esta carga excede às minhas forças e o remédio é repartirmos o peso irmãmente, seis arrobas para cada um.
        O cavalo deu um pinote e relichou uma gargalhada.
        — Ingênuo!  Quer então que eu arque com seis arrobas quando posso tão bem continuar com as quatro?  Tenho cara de tolo?
        O burro gemeu:
         — Egoísta,  Lembre-se que se eu morrer você terá que seguir com a carga de quatro arrobas e mais a minha.
         O cavalo pilheriou de novo e a coisa ficou por isso.  Logo adiante, porém, o burro tropica, vem ao chão e rebenta. 
        Chegam os tropeiros, maldizem a sorte e sem demora arrumam com as oito arrobas do burro sobre as quatro do cavalo egoísta.  E como o cavalo refuga, dão-lhe de chicote em cima, sem dó nem piedade. 
         — Bem feito!  exclamou o papagaio.  Quem mandou ser mais burro que o pobre burro e não compreender que o verdadeiro egoísmo era aliviá-lo da carga em excesso?  Tome!  Gema dobrado agora…

Monteiro Lobato, José Bento, Taubaté, SP, 1882 – 1948, escritor, contista, dedicou-se à literatura infantil.

28 Novembro 2011

O Pessegueiro e a Castanheira

Um pessegueiro olhou para a castanheira ao seu lado e invejou os galhos carregados de sua companheira.
- Por que esta árvore dá tantos frutos, pensou ele - e eu produzo tão poucos? Isto não é justo. Vou tentar fazer o mesmo.
- Não tente - disse-lhe um jovem pé de ameixas que lera o pensamento do pessegueiro - você não reparou na grossura dos galhos da castanheira? Não vê o tamanho do tronco? Cada um de nós deve dar aquilo que é capaz. Pense em produzir bons pêssegos. O importante é a qualidade, e não a quantidade.
Porém o pessegueiro, cego de inveja, não lhe deu ouvidos. Pediu a suas raízes que sugassem mais alimento do solo, que seus veios transportassem mais seiva, que seus ramos dessem mais flores e que as flores se transformassem em frutas até que, ao chegar a época da colheita, ele estivesse carregado de cima a baixo.
Mas quando os pêssegos amadureceram, seu peso aumentou, e os galhos não conseguiram sustentá-los. O tronco também não agüentou aqueles galhos tão carregados de frutas. Com um gemido, o pessegueiro curvou-se. 
E então, num grande estrondo, o tronco quebrou e caiu. E os pêssegos apodreceram ao pé da castanheira. 
Florada de um Pessegueiro
Fonte: "Fábula e Lendas" de Leonardo da Vinci